quinta-feira, 6 de agosto de 2009
BANDA DE MÚSICA (RN)
Com a finalidade de realizar o mapeamento das Bandas de Música em todo o Brasil, a FUNARTE – Fundação Nacional de Artes, disponibiliza em seu site - http://www.funarte.gov.br/ - de uma ficha de cadastramento, objetivando a inscrição das filarmônicas existentes em território brasileiro. Em se tratando do Estado do Rio Grande do Norte, a Funarte relaciona as seguintes filarmônicas:
BANDAS DE MÚSICA DO RIO GRANDE DO NORTE CADASTRADAS PELA FUNARTE
ACARI, FILARMÔNICA: BD. MUN. DE ACARI;
ACARI, FILARMÔNICA: FILARM. Mº FELINTO LÚCIO DANTAS;
AFONSO BEZERRA, BD. DE MÚS. DE AFONSO BEZERRA;
ALEXANDRIA, BD. DE MARIA DO SOCORRO;
ALMINO AFONSO, BD. ALCINA MARIA NUNES;
APODI, BD. DE MÚS. ANTONIO DE PÁDUA LEITE;
AREIA BRANCA, BD. DE MÚS. MIRABEAUX DANTAS;
BARAÚNA, ORQ. FILARM. 15 DE DEZEMBRO;
BENTO FERNANDES, BD. MUN. DE BENTO FERNANDES;
BREJINHO, BD. DE MÚS. INFANTO-JUVENIL DE BREJINHO;
CAICÓ, BD. DE MÚS. MUN. RECREIO CAICOENSE;
CAMPO GRANDE, ASS. E ESC. DE MÚS. FRANCISCO SOARES FILHO;
CAMPO GRANDE, BD. DE MÚS. MONSENHOR MILITÃO B. MENDONÇA;
CAMPO REDONDO, BD. DE MÚS. MUN. DE CAMPO REDONDO;
CARAÚBAS, BD. DE MÚS. MUN. MAESTRO JOAQUIM AMÂNCIO;
CARNAÚBA DOS DANTAS, BD. GOVERNADOR TARCÍSIO MAIA;
CARNAÚBA DOS DANTAS, FILARM. ONZE DE DEZEMBRO;
CEARÁ-MIRIM, BD. DE MÚS. MUN. TENENTE DJALMA RIBEIRO;
CRUZETA, BD. FILARM. 24 DE OUTUBRO;
CRUZETA, FILARM. DE CRUZETA;
CURRAIS NOVOS, BD. MUSIC. Mº SANTA ROSA;
DOUTOR SEVERIANO, BD. DE MÚS. 10 DE MAIO;
FLORÂNIA, BD. DE MÚS. MUN. ARNALDO TOSCANO DE MEDEIROS;
FRUTUOSO GOMES, FILARM. 20 DE DEZEMBRO;
GROSSOS, BD. DE MÚS. MUN. JOSÉ MARIA DA SILVA;
ILMO MARINHO, BD. DE ILMO MARINHO;
IPUEIRA, FILARM. JOSÉ ISIDORO DOS SANTOS;
ITAÚ, BD. DE MÚS. JOSÉ PRAXEDES FERNANDES;
JARDIM DE PIRANHAS, BD. DE MÚS. MUN. JOSÉ RAIMUNDO CAVALCANTI;
JARDIM DO SERIDÓ, BD. EUTERPE JARDINENSE;
JOÃO CÂMARA, FILARM. MANOEL RAFAEL DE FREITAS;
JUCURUTU, BD. DE MÚS. FRANCISCO BATISTA DOS SANTOS LULA;
LAGOA D'ANTA, BD. DE MÚS. DO MUN. DE LAGOA D'ANTA;
LAGOA NOVA, BD. MUN. DE LAGOA NOVA;
LUCRÉCIA, BD. FILARM. 12 DE SETEMBRO;
LUIZ GOMES, BD.DE MÚS. MUN. DR.VICENTE FERNANDES LOPES;
MACAÍBA, BD. DE MÚS. MUN. DE MACAÍBA;
MACAU, FILARM. MONSENHOR HONÓRIO;
MARTINS, BD. DE MÚS. NAIR AUSTERO SOARES;
MAXARANGUAPE, BD. MUN. DE MAXARANGUAPE;
MOSSORÓ, BD. DE MÚS. MUN. ARTUR PARAGUAI;
NATAL, BD. DE MÚS. CENTRO SOC. DE BRASÍLIA TEIMOSA;
OURO BRANCO, BD. MUNIC. DE OURO BRANCO;
OURO BRANCO, FILARMÔNICA MANOEL FELIPE NERY;
PARELHAS, BD. DE MÚS. 11 DE FEVEREIRO;
PARNAMIRIM, BD. DE MÚS. NÚCLEO EDUC. ARCO-ÍRIS;
PATU, BD. DE MÚS. LUÍZ DE FRANÇA DANTAS;
PAU DOS FERROS, BD. DE MÚS. ANTONIO FLORÊNCIO DE QUEIROZ;
PEDRA GRANDE, BD. DE MÚS. NAZARÉ CÂMARA;
PEDRO VELHO, BD. DE MÚS. DE PEDRO VELHO;
POÇO BRANCO, BD. DE MÚS. MUN. ADALTO LOPES;
PORTALEGRE, FILARMÔNICA 8 DE DEZEMBRO;
PUREZA, BD. SINFÔNICA DA CIDADE DE PUREZA;
RIACHO DE SANTANA, BD. DE MÚS. DO MUN. DE RIACHO DE SANTANA;
SANTANA DO SERIDÓ, BD. DE MÚS. DE SERIDÓ;
SÃO GONÇALO DO AMARANTE, BD. MUN. DE SÃO GONÇALO DO AMARANTE;
SÃO JOÃO DO SABUGI, FILARM. HONÓRIO MACIEL;
SÃO JOSÉ DE MIPIBU, BD. DE MÚS. TERRA VIVA;
SÃO MIGUEL, BD. DE MÚSICA DEPUTADO HESEQUIO FERNANDES;
SÃO MIGUEL DE TOUROS, BD. MUN. DE SÃO MIGUEL DE TOUROS;
SÃO PAULO DO POTENGI, BD. MUN. DE SÃO PAULO DO POTENGI;
SÃO TOMÉ, FILARM. DE SÃO TOMÉ;
SÃO VICENTE, BD. DA FUND. OASIS;
SÃO VICENTE, BD. DE MÚS. MANOEL FAUSTINO DA COSTA;
SERRA NEGRA DO NORTE, BD. MUN. DE SERRA NEGRA DO NORTE;
TAIPU, BD. MUN. COMPOSITOR ANTÔNIO SALDANHA;
TENENTE ANANIAS, BD. JESUS MARIA JOSÉ;
TIBAÚ, BD. MUN. DE TIBAÚ;
TRIUNFO POTIGUAR, FILARM. VICENTE LEANDRO FREIRE DE CARVALHO;
UMARIZAL, BD. MUN. DE UMARIZAL;
VENHA VER, BD. DANIEL AMORIM DE LIMA;
VIÇOSA, ORQ. FILARM. MUN. PE. DARIO TORBOLLI.
Concurso Público (CONFIRA)
Veja
Como anda o processo:
Como anda o processo:
Comarca de Ceará Mirim
Processo nº 102.08.003463-3
http://www.tjrn.jus.br:8080/sitetj/
03/08/2009 - Decisão Interlocutória ...Intime-se as partes recorridas, para, queredo, apresentarem contra-razões no prazo de (15) dias devendo logo após, com ou sem contra-razões, os autos serem remetidos ao E.T.J. R/N, para apreciação do recurso.
Processo nº 102.08.003463-3
http://www.tjrn.jus.br:8080/sitetj/
03/08/2009 - Decisão Interlocutória ...Intime-se as partes recorridas, para, queredo, apresentarem contra-razões no prazo de (15) dias devendo logo após, com ou sem contra-razões, os autos serem remetidos ao E.T.J. R/N, para apreciação do recurso.
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
O Saxofone
A História do Saxofone
Manuel Falleiros
O saxofone foi inventado por Antoine-Joseph (Adolph) Sax. Ele nasceu em Dinant, uma cidade no vale de Meuve na Bélgica, no dia 6 de novembro de 1814. Charles-Joseph Sax, o pai dele, era um carpinteiro que construiu uma fábrica para instrumentos de sopro de madeira e instrumentos de metal. Do pai ele herdou a técnica e criatividade para o comércio. Pouco se sabe sobre sua mãe, exceto que ela vivia muito ocupada cuidando dos onze filhos.

Adolph começou sua educação formal na Royal School of Singing (Bruxelas); lá ele também estudou flauta e clarinete. Dizem que se Sax não tivesse entrado nos negócios da família ele teria feito uma boa carreira como clarinetista profissional.
Charles concentrou suas energias na sua fábrica de instrumentos para ir ganhando a vida, enquanto Adolph ia experimentando novos designs com a finalidade de criar novos instrumentos. Sax termina, em 1834, o aperfeiçoamento do clarinete-baixo (clarone); talvez daí viesse a idéia de fabricar um novo instrumento, pois o formato do clarone e o do saxofone são bem semelhantes, com a diferença de que o corpo do clarone é mais alongado e feito de madeira e, principalmente, por pertencer à família do clarinete; mas o primeiro saxofone nasceu quando Sax adaptou uma palheta de um clarinete ao bocal de um oficlide (um predecessor da tuba, só que em forma de "U", como o fagote). O resultado foi um saxofone-baixo; a partir deste, Sax criou o restante da família. O Saxofone é um dos poucos instrumentos que foram "inventados".
Historiadores estão de acordo que Adolph Sax projetou e construiu o saxofone por volta de 1840. O esboço básico deste instrumento nunca mudou, embora muitos aperfeiçoamentos tenham sido feitos. Dessa incrível habilidade criativa nasceram o Sax Horn (uma espécie de tuba) e os saxofones.
Quando Adolph completou 25 anos, ele foi atraído pelo encanto de Paris, e se mudou para lá. Enquanto estava em Paris, ele conheceu muitos músicos notáveis inclusive Meyerbeer e Berlioz. Contudo ele foi obrigado a se mudar para Bruxelas por razões econômicas.
Depois de um período de tragédia familiar onde o Charles viu oito dos seus filhos morrerem, pai e filho se dedicaram exclusivamente ao trabalho, entorpecendo a dor da perda. Porém, a viagem a Paris teve um efeito duradouro em Adolphe e ele não pôde esperar pela oportunidade de voltar. Ele recebeu várias ofertas de trabalho que ele aceitou alguns em Londres e St. Petersburgo. Finalmente, ele foi atraído para voltar a Paris pela oferta de trabalho para o Serviço Militar francês.
Quase imediatamente depois da chegada dele em Paris, Sax começou a trabalhar na sua família de cornetas teclada. Tendo concebido o saxofone como um instrumento que combinaria os instrumentos de madeira com os de metal, pela produção de um som que descreveria propriedades de ambos, Sax submeteu-o a teste (o primeiro em conjunto) com as bandas militares francesas. A aceitação foi imediata. Em 12 de julho do mesmo ano, Sax é entrevistado por seu amigo Hector Berlioz, compositor e escritor do artigo, na "Paris Magazine" (jornal de debates), descrevendo sua nova invenção: o SAXOFONE: "Melhor que qualquer outro instrumento, o saxofone é capaz de modificar seu som a fim de lhe dar as qualidades convenientes, e de lhe conservar a igualdade perfeita em toda sua extensão. Eu o fiz em cobre, e em forma de cone parabólico. O saxofone tem boquilha com palheta simples como embocadura, uma digitação próxima à da flauta e à do clarinete, e podemos, se quisermos, colocar-lhe todas as digitações possíveis", diz Sax.
Em 1844, o saxofone é exibido pela primeira vez na "Paris Industrial Exibicion" e, no dia 3 de fevereiro do mesmo ano, Hector Berlioz esboça o arranjo do coral Chant Sacre , no qual inclui o saxofone.
"Nenhum instrumento que conheço possui essa estranha sonoridade situada no limite do silêncio", afirma H. Berlioz.
Ainda em dezembro desse ano , é apresentada a primeira obra original para saxofone, inserido na orquestra de George Kastner, "Opera Laster King of Judá" ("O Último Rei de Judá"), no Conservatório de Paris. Em 1845, Sax tirando vantagem da situação de que a banda de infantaria francesa possuía uma falta de qualidade, ele recomendou ao Ministro de Guerra que uma competição fosse feita entre uma faixa com instrumentos tradicionais e uma com os seus instrumentos. Ele refaz a Banda Militar, substituindo o oboé, fagote e trompas francesas por instrumento de sua invenção: saxofones, saxhorns em Bb e Eb, produzindo maior homogeneidade sonora; essa idéia foi um sucesso, e a faixa de sax subjugou a audiência. Dali em diante os saxes foram adotados na música militar francesa.
O saxhorn é uma espécie de instrumento de sopro feito de latão com embocadura de bocal e pistões que compreende o sopranino, soprano, contralto, barítono, baixo, contra-baixo (tuba), que funciona de forma análoga às tubas wagnerianas e às trompas de pistões. O seu formato é também muito semelhante ao das tubas empregadas por Wagner na "Tetralogia".
A tuba, que é um saxhorn baixo, munido de 4 ou até 5 pistões, constitui o único instrumento da família dos saxhorns em uso constante na orquestra sinfônica; os demais se restringem às bandas sinfônicas, militares e musicais no caso dos barítonos e contraltos.
O saxofone foi patenteado em 1846 incluindo 14 variações: Sopranino em Eb, Sopranino em F, Soprano em Bb, Soprano em C, Alto em Eb, Contralto em F, Tenor em Bb, Tenor em C, Barítono em Eb, Barítono em F, Baixo em Bb, Baixo em C, Contra-baixo em Eb e Contra-baixo em F.
Em 1858, Sax torna-se professor do Conservatório de Paris, onde começou a lecionar e propagar os ensinamentos do instrumento. O primeiro método para saxofone também foi atribuído a George Kastner (1846), e depois vieram os métodos de Hyacinthe Klosé (“Método Elementar Alto e Tenor” - 1877; “Barítono e Soprano” - 1879 e 1881).
Porém, Sax nunca ficou rico. Devido ao seu sucesso, os concorrentes, de olho nos lucros, lançaram uma tremenda campanha contra ele. Entre outros golpes, acusaram-no de ter roubado a idéia do saxofone, subornaram músicos para boicotar os seus instrumentos e fizeram com que os compositores deixassem o sax à margem das salas de concerto. Adolph sobreviveu aos ataques até que, em 1870, sua patente expirou e qualquer um pôde fazer saxofones. Sua fábrica então faliu. Duas vezes ele declarou bancarrota em 1856 e 1873. Muitos processos foram movidos contra ele e passou grande parte da sua vida em batalhas judiciais, gastando assim todo o seu dinheiro. Aos oitenta anos de idade e falido, três compositores se sensibilizaram (Emmanuel Chabrier, Jules Massenet e Camile São-Saens) e solicitaram ao Ministro francês de belas artes que lhe ajudasse. Uma pequena pensão foi dada, a qual lhe garantiu uma ajuda nos seus últimos anos de vida.
Antonie Joseph, conhecido como Adolphe Sax, morreu no dia 4 de Fevereiro de 1894 com 80 anos de idade.
Os saxofones:

Sopranino
Soprano
Alto
“C” Melody
Tenor
Barítono
Baixo
e Contrabaixo.
O que é cultura?
O que é cultura?
É comum dizermos que uma pessoa não possui cultura quando ela não tem contato com a leitura, artes, história, música, etc. Se compararmos um professor universitário com um indivíduo que não sabe ler nem escrever, a maior parte das pessoas chegaria à conclusão de que o professor é “cheio de cultura” e o outro, desprovido dela. Mas, afinal, o que é cultura?
Para o senso comum, cultura possui um sentido de erudição, uma instrução vasta e variada adquirida por meio de diversos mecanismos, principalmente o estudo. Quantas vezes já ouvimos os jargões “O povo não tem cultura”, “O povo não sabe o que é boa música”, “O povo não tem educação”, etc.? De fato, esta é uma concepção arbitrária e equivocada a respeito do que realmente significa o termo “cultura”.
Não podemos dizer que um índio que não tem contato com livros, nem com música clássica, por exemplo, não possui cultura. Onde ficam seus costumes, tradições, sua língua?
O conceito de cultura é bastante complexo. Em uma visão antropológica, podemos o definir como a rede de significados que dão sentido ao mundo que cerca um indivíduo, ou seja, a sociedade. Essa rede engloba um conjunto de diversos aspectos, como crenças, valores, costumes, leis, moral, línguas, etc. Nesse sentido, podemos chegar à conclusão de que é impossível que um indivíduo não tenha cultura, afinal, ninguém nasce e permanece fora de um contexto social, seja ele qual for. Também podemos dizer que considerar uma determinada cultura (a cultura ocidental, por exemplo) como um modelo a ser seguido por todos é uma visão extremamente etnocêntrica.
Cultura Brasileira (Manuel Bandeira)
Manuel Bandeira
Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho nasceu em Recife (PE) em 1886. Depois de morar no Rio, em Santos e em São Paulo, a família regressou ao Recife, onde permaneceu por mais algum tempo. A nova mudança para o Rio levou o menino a ser matriculado no colégio Pedro II. Com 17 anos, Manuel Bandeira foi para São Paulo, a fim de ingressar na Escola Politécnica, mas já no ano seguinte (1904) ficou tuberculoso. Abandonou os estudos, passando temporadas em várias outras cidades, de clima mais propício ao seu estado de saúde. Em 1913 partiu para a Suíça em busca de tratamento. Regressou no ano seguinte, pois estava começando a Primeira Guerra Mundial. Em 1917 publicou seu primeiro livro: A Cinza das Horas.

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água.
Pra me contar histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água.
Pra me contar histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
Lá sou amigo do rei
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
Conforme esclarece o melhor crítico da obra de Bandeira, Davi Arrigucci Jr.: "A poesia de Bandeira (..) tem início no momento em que sua vida, mal saída da adolescência, se quebra pela manifestação da tuberculose, doença então fatal. O rapaz que só fazia versos por divertimento ou brincadeira, de repente, diante do ócio obrigatório, do sentimento de vazio e tédio, começa a fazê-los por necessidade, por fatalidade, em resposta à circunstância terrível e inevitável".
Não participou diretamente da Semana de 22, mas seu poema "Os Sapos", lido por Ronald de Carvalho, provocou reações radicais na segunda noite do acontecimento. Mário de Andrade chamava-o de "O São João Batista do Modernismo". Bandeira exerceu diversas atividades profissionais relacionadas ao ensino. Dois anos antes de morrer, em entrevista concedida a um jornal, afirmou:
"Tive de parar os estudos por causa da doença. Não estudei cálculo infinitesimal ou integral e isso me impediu de ler muitas coisas, inclusive a teoria de Einstein. Nas horas de ócio da doença, não me apliquei ao estudo de grego e latim, iniciados no Colégio Pedro II. Isso é quase tudo o que não fiz. E, naturalmente, sinto pelos amores frustrados por causa da doença".
O poeta morreu com mais de 80 anos, em 13 de outubro de 1968. A perspectiva da morte foi uma constante em sua poesia e motivou um de seus conhecidos poemas:
ConsoadaQuando a Indesejada das gentes chegar(Não sei se dura ou caroável),Talvez eu tenha medo.Talvez sorria, ou diga:- Alô, iniludível!O meu dia foi bom, pode a noite descer.(A noite com seus sortilégios.)Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,A mesa posta,Com cada coisa em seu lugar.
A trajetória poética de Bandeira revela a busca constante de novas formas de expressão. A Cinza das Horas, primeiro livro do poeta, traz poemas parnasiano-simbolistas. Carnaval marca o início da libertação das formas fixas e a opção pela liberdade formal, que se tornaria uma das marcas registradas de sua poesia. Bandeira é considerado o mais hábil poeta brasileiro no manejo do verso livre. Nesse livro está o poema "Os Sapos", verdadeiro manifesto de um poeta inconformado e rebelde diante das limitações da estética parnasiana. A partir de Carnaval, toda a obra poética de Bandeira constrói-se em torno de uma progressiva liberdade de expressão. O ritmo dissoluto, cujo título já indica tratar-se de um livro integrado ao espírito modernista, mostra a opção definitiva de Bandeira pelo corriqueiro, pelo cotidiano, como matéria poética.
Libertinagem apresenta alguns poemas fundamentais para se entender a poesia de Bandeira: "Vou-me embora pra Pasárgada", "Poética", "Evocação do Recife", entre eles. No mesmo livro começam a aparecer assuntos que se tornariam freqüentes. Entre eles, o amor, a lembrança de vultos familiares e da infância, o folclore.
"Estrela da Tarde" atesta a inquietação do poeta, sempre procurando novos recursos formais para expressar sua visão de mundo:
A ondaa onda andaaonde andaa onda?a onda aindaainda ondaainda andaaonde?aonde?a onda a onda
Apesar de simpatizar com o concretismo, Bandeira advertiu: "Vamos devagar. Não aderi à poesia concreta". Sua produção, nesse sentido, resume-se a oito poemas.
São características da obra de Bandeira: emprego do verso livre, mas não com exclusividade. Mesmo em suas últimas obras Bandeira recorre a formas fixas, entre elas o soneto; até escreveu uma cantiga medieval: uma demonstração a mais de sua liberdade de expressão... É bom lembrar ainda que verso livre não é sinônimo de ausência de ritmo; aproveitamento da fala coloquial; poesia simples, direta; aproveitamento de fatos do cotidiano; sentimento de humildade diante dos fatos; humor; e visão de amor quase sempre tangenciando o erotismo, o amor físico.
Ele próprio afirmou: "... a poesia está em tudo - tanto nos amores quanto nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas". Bandeira não se ocupou de temas de natureza social ou de reflexão filosófica. Sua visão de mundo decorria da descoberta da poesia nos fatos corriqueiros, do dia-a-dia, ou nas experiências de vida do poeta.
Quando se relacionam os poemas de Bandeira à sua biografia, é necessário fugir do simplismo de achar que cada poema surgiu de um dado biográfico. Primeiro, porque essa relação só pode ser feita se ancorada em informações fornecidas pelo poeta - como é o caso de "Pneumotórax" ou mesmo de "Vou-me embora pra Pasárgada". Segundo, porque a partir do cotidiano o poeta recria poeticamente o mundo, dando à sua obra dimensão universal, ou seja, o cotidiano adquire significação simbólica e passa a ser aplicável a qualquer homem.
Obra
Poesia: A Cinza das Horas (1917); Carnaval (1919); O Ritmo Dissoluto (1924); Libertinagem (1930); Estrela da Manhã (1936); Lira dos cinquent'anos (1940); Belo, Belo (1948); Mafuá do Malungo (1954); Estrela da Tarde (1963); Estrela da vida inteira, incluindo todas essas obras, é de 1966 e foi lançada para comemorar os 80 anos do poeta.
Prosa: Crônicas da Província do Brasil (1937); Itinerário de Pasárgada (1954); Andorinha, Andorinha (1966).
Lázaro Curvêlo Chaves
BANDA DE MÚSICA (BRASIL)
Banda da Guarda Municipal de BH

O Centro de Cultura Lagoa do Nado - CCLN preparou uma atração especial para homenagear as mães, no próximo domingo, 10 de maio. A Banda da Guarda Municipal e Patrimonial de Belo Horizonte, sob regência do maestro Sylvio Nascimento e Sub-tenente Marcos Aurélio Moura, apresenta, a partir das 10 horas, um concerto inteiramente dedicado as mães. A promoção é da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura e do CCLN, que fica na rua Ministro Hermenegildo de Barros, 904, Itpoã.
Com um repertório eclético e inusitado, a Banda promete proporcionar uma manhã diferenciada para as mães. Além de apreciarem boas músicas em sua homenagem, as mães e seus familiares podem passear pelos bosques do Parque e admirar as paisagens naturais do local. Para completar, o restaurante estará aberto para receber as famílias.
Criada oficialmente em 28 de fevereiro de 2007, a Banda da Guarda Municipal e Patrimonial surgiu com o objetivo de reunir músicos iniciantes a fim de mostrar para população de Belo Horizonte que a função da guarda vai além da ação preventiva contra a violência urbana. O objetivo é, também, gerar uma convivência harmoniosa com a comunidade por meio da música.
BANDA DE MÚSICA (BRASIL)
Banda da Guarda Municipal de Goiânia

A Banda da Guarda Municipal de Goiânia foi criada em outubro de 2006, com 20 músicos provenientes do concurso para guarda municipal . Hoje com 30 integrantes (entre eles sete mulheres), a Banda é a maior frente cultural da GM-Goiânia, estando sempre presente nos mais variados eventos na cidade e até em outros municípios. Com o objetivo de resgatar valores culturais brasileiros em shows gratuitos que visam devolver a musicalidade a praças, parques, coretos e outros pontos públicos de Goiânia.
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