quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Louis Armstrong


Louis Armstrong em 1953, com seu trompete. Armstrong é muito conhecido também por sua voz de alto timbre.



Nome completo
Louis Daniel Armstrong



Apelido
Satchmo, Pops





Data de morte
6 de Julho de 1971 (69 anos)Nova Iorque, Estados Unidos



Gêneros
Jazz, Dixieland, Swing, Pop Tradicional







Período em atividade
1914 - 1971




Afiliações
Joe "King" Oliver, Ella Fitzgerald, Kid Ory






1. Infância

Armstrong nasceu numa família muito pobre. Passou a sua juventude na pobreza num duro bairro de Nova Orleães, conhecido como “as costas da cidade”. O seu pai, William Armstrong, abandonou a família quando Louis ainda era criança e casou-se com outra mulher. A sua mãe, Mary Albert Armstrong, deixou Louis com a sua tia, o seu tio e a sua avó. Aos cinco anos ele voltou a viver com a sua mãe e via o pai muito raramente. Ele esteve na Fisk School for Boys onde pela primeira vez entrou em contacto com a música. Levou algum dinheiro para casa como entrega-jornais e sapateiro ambulante contudo, isso não era suficiente para manter a sua mãe longe da prostituição. Fascinado e intrigado, passou a entrar à socapa em bares de música perto de sua casa para ouvir e ver os cantores.


Armstrong nascera no fundo da pirâmide social, numa cidade altamente segregada. Apesar disso, ele vivia num constante fervor de música, no seio do que se costuma chamar Ragtime, mas que ainda não era Jazz. Conheçeu também dias muito difíceis mas, Armstrong olhava para a sua juventude como o pior momento da sua vida e, por vezes, até retirava inspiração dela: “Every time I close my eyes blowing that trumpet of mine, I look right in the heart of good old New Orleans... It has given me something to live for.” Todas as vezes que eu fecho os meus olhos tocando aquela minha trompeta, eu olho logo no coração da boa velha Nova Orleães... dá me algo para eu viver.”



Conseguiu comprar uma trompeta, com dinheiro emprestado de uma família imigrante russa-judia, os Karnofskys que, até ao final da sua vida considerou como membros da família visto terem cuidado dele vários dias e noites, enquanto a sua mãe trabalhava. Por essa razão, Louis usou uma Estrela de David para o resto da sua vida.




Após sair da Fisk School aos 11 anos, Armstrong formou um quarteto que tocava na rua tocar para ganhar algum dinheiro e também por esta altura ele começou a meter-se em sarilhos.





O tocador de corneta Bunk Johnson ensinou-o a tocar por ouvido no Dago Tony’s Tonk em Nova Orleães, apesar de Louis ter dado crédito a um músico, de seu nome, Oliver, nos anos seguintes. Armstrong desenvolveu fortemente a sua maneira de tocar trompeta na banda de New Orleans Home for Colored Waifs, onde ele fora várias vezes enviado por delinquência juvenil (mais notavelmente por disparar a arma do seu padrasto para o ar numa celebração de Véspera de Ano Novo, assim confirmam os registos policiais) . O professor Peter Davis instalou disciplina e providenciou educação musical ao rapaz. Eventualmente, Davis fez Armstrong o líder da banda. A Home tocou por toda Nova Orleães e o rapaz de 13 anos passou a tomar atenção ao modo como tocava trompeta, começando uma nova carreira musical. Aos 14 anos ele saiu da Home e viveu com o seu pai e nova madrasta e depois com a sua mãe, as ruas e as suas tentações. Armstrong ganhou o seu primeiro emprego nocturno no Henry Ponce’s, onde Black Benny se tornou o seu protector e tutor. Queimava carvão na fábrica de dia e tocava trompete à noite.





Ele tocou frequentemente nas Brass Band Parades e ouviu os músicos mais velhos sempre que podia, aprendendo com Bunk Johnson, Buddy Petit, Kid Ori e, acima de tudo, com Joe “King” Oliver, que actuou como mentor e figura paternal para o jovem músico. Mais tarde, ele tocou nos riverboats de Nova Orleães, trabalhando com o ilustre Fate Marable subindo e descendo o Mississipi. Ele descreveu o tempo passado com Marable como indo para a universidade, o que lhe proporcionou uma experiência única.





2. Carreira



Em 19 Março de 1918, Satchmo ( a alcunha de Armstrong ) desposou Daisy Parker de Gretna, Louisiana. Eles adoptaram uma criança de 3 anos, Clarence Armstrong, cuja mãe, a prima de Louis, Flora, morrera no parto. Clarence Armstrong foi doente mental ( resultado de uma pancada em tenra idade ) e Louis passaria o resto da sua vida a tomar conta dele. Louis divorciou-se de Daisy e pouco depois, esta faleceu.




Durante as suas experiências de “Riverboat”, a música de Armstrong começou a amadurecer. Aos vinte anos, já conseguia ler partituras e começou a tocar grandes e prolongados solos de trompeta, sendo um dos primeiros Jazzmen a fazê-lo e introduzindo a sua personalidade e estilo nos seus solo turns. Ele acabara de aprender como criar um som único, e começara a cantar nas suas performances. Em 1922, Armstrong foi para Chicago, por convite de Joe “King” Oliver, para se juntar à sua “Creole Jazz Band” onde ganhava o suficiente sem ter de actuar nos velhos clubes nocturnos. Chicago, a cidade do vento, estava povoada de muitos negros, que após trabalharem nas fábricas, tinham algum dinheiro para gastar numa ida ao bar.




A banda de Oliver foi a melhor e mais impressionante jazz band em Chicago nos anos 20, numa altura em que esta cidade era o centro do universo do Jazz. Armstrong viveu como um rei em Chicago, no seu próprio apartamento, com a sua própria casa de banho privada ( a sua primeira ). Entusiasmado de se encontrar nesta cidade, começou a escrever cartas nostálgicas aos seus amigos em Nova Orleães. À medida que a carreira de Armstrong crescia, ele era desafiado a “cutting contests” por hornmen tentando acabar com o novo fenómeno no entanto, falharam. Armstrong fez as suas primeiras gravações nas Gennett e Okeh labels ( os recordes de jazz estavam a começar a rebentar por todo o país ), incluindo alguns solos e breaks, enquanto segundo trompete na banda de Oliver em 1923. Por esta altura, ele conheceu Hoagy Carmichael ( com quem ele colaboraria depois ) que foi introduzida por Bix Beiderbecke, seu amigo, que agora possuía a sua “Chicago band”.




Armstrong adorou trabalhar com Oliver, mas a sua segunda mulher, a pianista Lil Hardin Armstrong, fez com que este desenvolvesse o seu novo estilo afastado de Oliver. Ela convençeu o seu marido tocasse música clássica nas igrejas, para aperfeiçoar o seu estilo e experimentasse tocar sem banda, além dos solos, e com coral religioso. A influência de Lil determinou eventualmente a relação entre Armstrong e o seu mentor, especialmente as questões do salário e dos dinheiros adicionais que Oliver afastava dele e dos outros membros da banda. A banda desfez-se em 1924 e Armstrong foi convidado a ir à cidade de Nova Iorque para tocar com a Fletcher Henderson Orchestra, a banda Américo-Africana de mais sucesso naquele período. Louis aprendeu como tocar em orquestra pela primeira vez.





Armstrong rapidamente adaptou-se ao mais controlado estilo de Henderson e os outros músicos rapidamente tomaram Armstrong como um músico emocional e natural.





Durante esta altura, Armstrong efectuou várias gravações, arranjadas por um seu velho amigo de Nova Orleães, o pianista Clarence Williams, estas incluíam concertos de banda Williams Blue Five ( na qual Armstrong entrava ), alguns solos de jazz e uma série de acompanhamentos com tocadores de Blues, incluindo Bessie Smith, Ma Rainey e Alberta Hunter.





Armstrong regressou a Chicago em 1925 devido à sua mulher, que queria incentivá-lo a prosseguir com a sua carreira. Ele gostou muito de Nova Iorque e admitiu que a Henderson Orchestra era bastante limitada. Ele começou a fazer gravações com o seu próprio nome com os famosos Hot Five e Hot Seven, produzindo grandes êxitos como Potato Head Blues, Muggles ( uma referência à marijuana ) e West End Blues.




O grupo incluia Kid Ory ( trombone ), Johnny Dodds ( clarinete ), Johnny St. Cyr ( banjo ), a mulher de Armstrong e, normalmente, nenhum tamborista. Armstrong conduzia a banda muito bem, assim o comprova St. Cry: “One felt so relaxed working with him…he always did his best to feature each indidual” Todos relaxavam ao trabalhar com ele…ele fazia sempre o seu melhor para realçar cada um dos membros da banda. As suas gravações com o pianista Earl “Fatha” Hines e a introdução de Armstrong em West End Blues permanecem as mais famosas influências na história do Jazz. Armstrong era agora livre de desenvolver o seu estilo pessoal como ele quisesse.




Armstrong também tocou com “Erskine Tate’s Little Symphony”, no teatro de Vendome. Eles forneceram música para filmes mudos e shows ao vivo, incluido versões de música clássica “jazzeadas” entre as quais Madame Butterfly, o que proporcionou a Armstrong experiência com novos tipos de música e actuações perante uma grande audiência. Tornaram-se a banda de Jazz mais famosa na América e os jovens músicos adoravam e admiravam o novo estilo de Armstrong.




Após separar-se de Lil, Armstrong começou a tocar no café Sunset para Joe Glaser, um associado de Al Capone. Na Carrol Dickerson Orchestra, com Earl Hines no piano, que rapidamente foi transformada na Louis Armstrong’s Stompers, Armstong fez amizade vitalícia com Hines e dirigiu, pela primeira vez, um grupo musical.





Armstrong regressou a Nova Iorque em 1929, onde ele tocou na orquestra do musical Hot Chocolate e fez uma particpação especial na banda de Charles John Degoniah. Ele começou a trabalhar no Connie’s Inn em Harlem, o segundo clube nocturno mais famoso da “Big Apple”. Armstrong teve também um sucesso considerável com as gravações vocais, incluindo versões das famosas músicas compostas pelo seu velho amigo Hoagy Carmichael. As suas gravações de 1930 ganharam vantagem total devido ao “ribbon microphone” ( microfone de peito ) sobre todas as outras gravações de bandas da época, com menos qualidade. A mais famosa foi: “Stardust”, que até hoje permanece uma das gravações com mais lucro de Armstrong. O único som vocal e estilo de Armstrong, e a sua inovadora maneira de cantar já se tinha tornado standart, no entanto, esta ainda continuava a “deixar as pessoas loucas”.





A Depressão dos anos 30 atacou de forma violenta o Jazz. Bix Beiderbecke faleceu e a banda de Fletcher Henderson dispersou-se. Muitos músicos deixaram de tocar nos clubes nocturnos e alguns deixaram mesmo de ser músicos. King Oliver fez algumas gravações mas não tiveram exito nenhum. Sidney Bechet tornou-se alfaiate e Kid Ory regressou a Nova Orleães para criar galinhas. Armstrong deslocou-se para Los Angeles em 1930 à procura de novas oportunidades. Ele tocou no New Cotton Club em L.A. com Lionel Hampton nos tambores. Em 1931 Armstrong apareceu no seu primeiro filme: Ex-Flame. Ele regressou a Chicago em Dezembro de 1931 e tocou nas bandas de Guy Lombardo e Raphael Minsby onde foi relembrado pelo público. Viajou por quase todos os estados e em Março de 1934 regressou a Nova Orleães, onde foi recebido como um herói. Ele patrocinou uma equipa de basquetbol local, “Armstrong’s Secret Nine”, e deram-lhe o seu nome a um tipo de cigarro. Mas pouco tempo depois, ele regressou à estrada e foi novamente esqueçido, o que fez com que ele fugisse para a Europa.




Após regressar aos E.U.A., ele tomou várias longas e exaustivas digressões. O seu agente, Johnny Collins, fez com que Armstrong ficasse com pouco dinheiro. Ele despediu-o e contractou Joe Glaser, que resolveu as suas dividas e os seus processos.




Ele regressou ao cinema e participou num programa de radio, Rudy Valley’s Show, em que ele entrevistou muitos músicos e tocou alguns solos. Divorciou-se de Lil em 1938 e casou com a sua nova namorada , Alpha.



Após muitos anos na estrada, ele fez residência em Queens, Nova Iorque em 1943 com a sua quarta mulher, Lucille. Apesar de alguns ataques racistas ( roubar o correio, atirar pedras à casa ) integrou-se bastante bem com os negros e alguns brancos do seu bairro.




Durante os trinta anos seguintes da sua vida, Armstrong tocou inúmeros solos e com inúmeras bandas, paricipou em imensos filmes mas sobretudo descansou pois passar da miséria: de entrega-jornais, duma família despedaçada e de uma casa a cair aos pedaços para a riqueza: uma carreira de sucesso, uma família unida e de uma casa boa, dá muito trabalho.




3. Os All Stars


O agente de Armstrong, Joe Glaser, acabou com uma banda que ele tinha formado, e recomendou a Armstrong a criação de uma nova banda formada por pessoas suas amigas. O grupo chamou-se os All Stars e incluiu Earl “Fatha” Hines, Barney Bigard, Edmond Hall, Jack Taegerdon, Jesmiah Burt, Trummy Young, Arvell Shaw, Billy Kyle, Marty Napoleon, Big Sid Catlett, Cozy Cole, Barrett Deems e Danny Barcelona.




Em 1964 ele atingiu o maior recorde de vendas, ultrapassando ainda as suas antigas gravações com “Hello, Dolly!”. A música ficou em primeiro lugar nos Top 10, fazendo com que Armstrong, com 63 anos de idade, a pessoa mais idosa a conseguir tal feito, destronando até os Beatles, que estavam, por 14 semanas seguintes, em 1º lugar!



Antes de morrer, em 1971, andou por todos os continentes, excepto a Oceânia e a Antárctica, em digressão, ganhando o nome de “Embaixador Satch”.



4. Características da sua música



Nos seus primeiros anos, Armstrong foi mais conhecido por tocar corneta e trompete. Também nos seus primeiros anos, a melhor e mais conhecida música foi os Hot Five e Hot Seven. Ainda hoje ele é conhecido por isso.



As gerações de músicos jazz, do final da vida de Armstrong, lembram-se dele como sendo o homem das improvisações, no bom sentido. Considera-se o estilo de Armstrong cheio de originais, divertidas, criativas e relaxantes ritmos. Ao longo dos anos, a música de Armstrong foi ficando cada vez mais perfeita, não havendo erros em nenhuma das suas músicas.



Resta dizer que Armstrong foi fortemente influenciado por Martin Luther King no tipo de músicas que ele tocava e nas letras, que eram algumas vezes acerca do racismo e da necessidade, da altura, de acabar com este.



Louis Armstrong é considerado senão o maior dos músicos Jazz.



5. O fim de Satchmo



Louis Armstrong morreu de ataque cardíaco em 6 de Julho de 1971 com a idade de 69 em Corona, Queens, Nova Iorque, 11 meses após tocar o seu último solo na Sala Imperial do Waldorf Astoria. As suas últimas palavras foram: “I had my trumpet, I had a beautiful life, I had a family, I had Jazz. Now I am complete.” Eu tive o meu trompete, uma vida linda, uma família, o Jazz. Agora estou completo.



6. O Jazz



O Jazz é uma manifestação artística-musical origináris dos E.U.A. Tal manifestação teria surgido por volta do início do século XX na região estadunidense de Nova Orleães e nas suas proximidades, tendo na cultura popular e na criatividade das comunidades negras que ali viviam, um dos seus espaços de desenvolvimento mais importantes.



O Jazz criou-se através da mistura de várias tradições musicais, em particular, a afro-americana. Esta nova forma de se fazer música incorporava blue notes, chamada e resposta, forma sincopada, polirritmia, improvisação e notas com swing do Ragtime. Durante o seu desenvolvimento inicial, o Jazz incorporava hinos religiosos ingleses e europeus.
Os instrumentos musicais usados para o Jazz são aqueles usados em bandas marciais e de dança: metais, palhetas e baterias. O clarinete, a corneta e os trompetes eram os mais comuns. Tocava-se o piano e por vezes via-se um contrabaixo. A bateria era costume e muitas vezes os “pratos” complementavam a banda.



A primeira banda de músicos Jazz, The Jazz’s Sons, de Nova Orleães, tentaram espalhar este estilo por onde iam e, pelos vistos, tiveram muito sucesso pois ainda hoje sentimos a sua influência.


7. Discografia


1923: King Oliver’s Creole Jazz Band
1924-1925: Clarence Williams’ Blue Five
1925-1927: Louis Armstrong & His Hot 5/Louis Armstrong & His Hot 7
1947: Satchmo at Symphony Hall
1951: Satchmo at Passadena
1954: Louis Armstrong Plays W.C. Handy
1955: Louis Armstrong at the Crescendo
1956: Ella & Louis
1957: Ella & Louis Again (Porgy and Bess)
1961: Together for the First Time
1963: Hello, Dolly!
1997: The Complete Ella & Louis on Verve
1998: Here comes Louis! (compilação)



8. Filmografia


1930- Ex-Flame
1932- Black and Blue
1932- I’ll Be Glad When You’re Dead
1936- Pennies From Heaven
1937- Artists & Models
1937- Every Day Is a Holiday
1938- Dr. Rhythm
1943- Going Places
1943- Cabin in the Sky
1944- Show Business at War
1944- Jam Session
1944- Atlantic City
1945- Pillow to Post
1947- New Orleans
1948- A Song Is Born
1950- Young Man with a Horn
1950- I am in the Revue
1951- The Strip
1952- Glory Alley
1953- The Road to Happiness
1953- The Glenn Miller Story
1956- High Society
1957- Roses Are For Ladies
1958- Satchmo, the Great (documentário)
1959- The Night Before the Premiere
1959- The Five Pennies
1959- The Beat Generation
1959- La Paloma
1959- Koerlighedens Melodi
1960- Jazz on a Summer’s Day
1961- Paris Blues
1961- Auf Wiedersehen
1965- When the Boys Meet the Girls
1969- Hello, Dolly!



9. Bibliografia


www.redhotjazz.com
www.satchmo.com
O guia do Jazz ( disponível na nossa biblioteca )
A “Biblia” da Música ( muito raro de encontrar- Porto ) edições Gradiva
A Música no Tempo, edições Gradiva



Trompete

História e aperfeiçoamento
Dos instrumentos musicais depois da voz humana, pode-se dizer que o trompete é um dos instrumentos mais antigos. Se olharmos na sua historia e construção verá que ele nasceu como um instrumento de chamada, utilizados por pastores para conduzir o rebanho ou em tempos mais antigos utilizado para assustar animais pré-históricos. Nessa época ele não tinha afinação ou escala, apenas era um pedaço de chifre que se produzia um som. Depois no período do metal, os romanos e outros povos construíram-no de metal para ser utilizado em guerras. Seus timbres e ataques davam os comandos para o exercito atacar ou não o inimigo.
O trompete só começou a evoluir e a ser utilizado na musica no século XV, no período do renascimento como ainda não tinha uma técnica aprimorada na época, era apenas utilizado para algumas notas e marcações (mais detalhes ver História da Musica).
Mais tarde com a ajuda que Bach deu a musica na época barroca, ajudou o trompete a evoluir também. Esse período foi o inicio da utilização do trompete na musica, pois agora ele tem notas e oitavas, podendo assim ser utilizado para a musica da época.
No período clássico, o trompete não teve tantos avanços como teve a linguagem musical, fazendo assim o trompete voltar a ser apenas um instrumento harmônico e de reforço rítmico. O concerto de Haydn não foi escrito para trompete, mas sim para cornet da época.
Mas só em 1815, um trompista alemão chamado Heinrich Stölzel, criou o sistema de válvulas para instrumentos de metal, e em 1939 o francês Périnet patentiou um sistema de válvulas chamado de “gros piston” que é a origem das válvulas que utilizamos hoje no trompete. Daí pra frente o trompete teve seu lugar na musica, pois com esse sistema de válvulas ele ficou completamente cromático.
Depois disso, o trompete ganhou também válvulas para afinação do instrumento e de novas individuais.
Depois dessa evolução, as industrias de instrumentos não pararam por ai, com o jazz e as orquestras, eles criaram outras variações de trompete tais como: Cornet, Picollo, Flugue Horn entre outros.
Não podemos esquecer dos músicos que criaram técnicas e fizeram com que o trompete chega-se ao que é hoje. Músicos incríveis como: Jonh Baptista Arban, King Oliver, Dizie Dilespy, Duke Ellighton, Louis Armstrong, Arturo Sandoval e Winton Marsalis (exemplo a ouvir: Variações sobre Carnaval de Veneza).
Informações sobre Bocais
Borda - Um contorno chato tende a segurar os lábios no lugar, por isso bordas com um contorno mais arredondado permitem maior flexibilidade que os de contorno chato. Uma borda mais larga aumenta o conforto e a resistência sobre uma borda mais estreita. Porém uma borda larga oferece menos flexibilidade.
Uma borda que tenha a beirada (bite) mais aguda no lado de dentro fornece articulações mais claras por segurar os lábios no lugar.
Cup - Com o aumento do cup em tamanho, sobrará mais lábio para vibrar o que faz um som com mais volume. A profundidade do cup ajuda a controlar a qualidade do tom. Um formato arredondado produz um som mais brilhante. Quando mais o formato se aproxima de um "V", mais opaco o som se torna.

Backbore - O formato do backbore, tão como seu volume, é muito importante no controle da resistência e da qualidade sonora. Geralmente um backbore mais justo ou menor produz um som mais brilhante enquanto que um backbore mais largo produz um som mais opaco e meloso.

Shank - O tamanho do shank controla quão fundo o bocal se encaixa nos lábios. Na maioria dos instrumentos o bocal não se encaixa contra o fim do bocal, criando assim uma brecha entre o fim e o começo do bocal. Essa brecha é muito importante na medida que ela afeta a resistência e a entonação; uma brecha menor produz menos resistência e vice-versa.

Escolhendo um bocal certo

Iniciantes - Geralmente com bocais como o 11C4-7C (Yamaha), 7C (Bach) ou 7C (Giardinelli). É recomendável ficar com o tipo de cup e backbore que venha com um desses bocais. A escolha da borda (larga) é uma área em benefício do estudante neste estágio, desde que a escolha seja de acordo com a formação dentária, lábios e o maxilar do estudante. Há ocasiões em que se escolhendo um bocal com um diâmetro maior será melhor para o estudante. Se após algumas semanas o estudante ainda tiver problemas produzindo um tom, tente uma borda mais larga.

Em muitos casos em especialmente se o estudante tem os dentes frontais muito largos ou usa aparelhos, uma borda mais larga ajudará a soltar os lábios, permitindo assim uma vibração mais fácil.

Intermediários - Nesse estágio o estudante terá dessenvolvido maior resistência e poderá mudar para um bocal mais largo. É recomendável ficar com um cup e backbore de tamanho médio. Uma típica mudança seria de um 11C-7c ou equivalente para um 14C4 (Yamaha), Bach 5C ou Giardinelli 5C. Mudando para um bocal ainda mais largo dará um som mais cheio e um tom mais ressonante.

Avançados - Se o trompetista está tocando em uma banda de jazz, especificamente se o repertório é pesado, ele optará para um bocal que realce os registros agudos tão como produzindo uma qualidade de tom que o ajudará a dar as "cortadas" na banda. Isso geralmente significa escolher um cup e backbore menor como os 13A4a (Yamaha), Schilke 13A4a ou os 14A4a (Yamaha), Schilke 14A4a e o Giardinelli 6S. Trompetistas estudando um método de jazz provavelmente preferirão um tom mais cheio, sendo o bocal um 13B4 (Yamaha), Bach 6C ou um 14B4 (Yamaha), Bach 3C, ou o Schilke 15B. Se o estudante está interessado em tocar em uma orquestra sinfônica, então provavelmente escolherá um 16C4 (Yamaha), Bach 11/2C, Giardinelli ST-2 ou um 17C4 (Yamaha), Bach 1C ou o Giardinelli 3C.
Efeitos que podem ser produzidos no trompete
As surdinas
As surdinas são equipamentos que colocados na campana do trompete abafam e alteram o timbre do instrumento. São construídas em madeira, metal, plástico, papelão, ou fibra de vidro. Dependendo do material empregado, conferem ao instrumento um timbre opaco ou metálico.
Pelos efeitos adquiridos por elas, são muito utilizadas nas orquestras de jazz e sinfônicas. Exemplo a escutar: Flight of the Bumblebee de Rimsky-Korsakov, interpretado por Winton Marsalis.
As notas duplas
As notas duplas são outro efeito interessante que pode ser feito no trompete. Obtem-se o efeito tocando uma nota e cantando outra ao mesmo tempo. Se elas estiverem afinadas o ouvido escutará uma terceira nota, quem sabe um acorde maior.

Por o efeito ser produzido com o volume baixo, essa técnica é aplicada somente em solos ou em música de câmara.
Os glissandos
Do francês Glissando significa escorregar. Cria-se esse efeito através do aumento da pressão do ar e da contração dos lábios, passar rapidamente pelas diversas notas da série harmônica.

De todos os instrumentos de metal, o trombone é o que consegue produzir um glissando mais perfeito ao deslizar a vara. No trompete se produz esse efeito com o aumento da pressão dos lábios como já citado e com a ajuda dos pistos do instrumento.
Um exemplo muito famoso desse efeito é o solo de trombone no Bolero de Ravel.
O vibrato
Ele pode ser produzido de diversas formas: pela vibração do diafragma, das cordas vocais do maxilar inferior e até mesmo pela vibração do instrumento com as mãos.
O frullatto
O frullatto é produzido com a pronuncia de rrrrr quando se toca uma nota. Imitando-se assim o som de um motor de carro. Esse é um efeito muito utilizado nas orquestras de jazz. Exemplo a escutar: Caravan, interpretado por Duke Ellinghton.

domingo, 16 de agosto de 2009

"A Vida é Assim"

"A Vida é Assim" é uma música do grupo Só Brega.
Ela conta a história do vocalista, Conde, um cachaceiro safado que achava que podia fazer dele o que bem entendia, e que ninguém podia mandar na merda da vida dele.
Importância Histórica
A canção A Vida é Assim é um dos maiores tesouros culturais conhecidos. A beleza e simplicidade de seus versos fizeram com que seu autor, o Conde do Brega, fosse elevado ao posto de poeta mais importante da cultura ocidental.
O Conde do Brega é citado em incontáveis teses de mestrado, sendo suas palavras posta a par da máxima délfica, dos versos homéricos, dos pensamentos aristotélicos, dos palavrões de Dercy Golçalves e dos pensamentos de Seu Madruga.
1.238.94 poetas de vários países já tentaram provar que os famosos versos condeanos teriam sido plagiados de obras suas, sem que jamais qualquer desses poetas tenha obtido êxito.
Com isso, a ONU concedeu ao Conde do Brega o título de poeta mais importante que a humanidade já conheceu. Semanalmente, sempre nas noites de sexta-feira, toda a população pernambucana presta uma homenagem ao seu mais ilustre conterrâneo, entoando sembriagada em coro seus mais famosos versos: Ninguém é perfeito e a vida é assim.
Letra
Composição: Capeta
Faço de mim o que quero,
faço o que quero em mim
Faço as vezes uma boa,
mas tambem faço algumas ruim
Porque, meu bem,
ninguém é perfeito e a vida é assim
Porque, meu bem,
ninguém é perfeito e a vida é assim
Tudo de mais tem limite,
limita até o que vai pintar
O que eu fiz errado está certo
e muitos vão querer concertar
Porque, meu bem,
ninguem é perfeito e a vida é assim
Porque, meu bem,
ninguem é perfeito e a vida é assim
Não sei se você percebeu, mas preferi não consertaro erro na letra, pois não quero limitar nem o que vai pintar, pois o que ele faz errado está certo, pelo menos ele diz né...
Olha o homem aí!
Conde Só Brega

Vida de músico

Tira a guitarra do case, põe a guitarra no case: quem pensa que vida de música é moleza, está redondamente enganado. Ser músico, assim como ser médico, advogado ou engenheiro, exige muito estudo e dedicação. Um músico que não estudo tende a errar e repetir os mesmo erros em cada performance. Até piorar, dependendo do relaxamento do “profissional”. Ok, ok: 90% dos músicos brasileiros são músicos autodidatas. Eu sei que alguns vão dizer que Pepeu Gomes é um monstro na guitarra e não sabe o que é um Dó Maior ou um Si Menor, tudo bem, tudo bem. Mas imagine se esses caras tivessem aulas de teoria musical, soubessem o que são mínimas, colcheias, fusas, fermatas e staccatos. Imagine, por um momento, se esses músicos fabulosos dominassem a teoria musical. Em quantas vezes a grandeza desse material intuitivo poderia se ampliar? Em zero ou em milhões, quem sabe?
Música é difícil e ser músico exige demais do profissional: não que fazer uma cirurgia cerebral ou projetar uma rodovia não sejam difíceis (são e muito!), mas acho que subir em um palco ou banquinho é muito mais difícil. Antes que os curandeiros e projetistas de plantão - Arq, por favor me defenda - acho que além de atenção e estudo, a música exige feeling e feeling não se aprende na escola. Aliás, o feeling não se aprende com ninguém: o feeling cresce dentro de cada um na batida do bumbo, na marcação do contrabaixo, nos bends da guitarra, na sedução do saxofone. Feeling não é só sentimento. Feeling é tesão puro. Pela música, pelo instrumento, pelo palco, pelas luzes, pelo momento. Um músico sem feeling é como amor sem beijo ou como churrasco sem cerveja gelada: não é nada.
E quem pensa que é só de conhecimento e sentimento que se faz um músico, enganou-se: paciência é a maior virtude de um músico. Paciência para trocar tardes de sol por tardes de estudo, paciência para tocar o que agrada o público e não o que alimenta a própria alma (no caso dos músicos de bar) e, mais do que tudo,.paciência para aturar e perdoar aqueles que acham que, por causa das tulipas e madrugadas viradas, nosso trabalho não é uma profissão.
Ser músico é cantar e encantar. Com a cabeça, o coração e o espírito. Tão simples e tão complexo, não? Ah, como eu adoro o meu trabalho.

MÚSICA É VIDA

As coisas que parecem muito fáceis, na verdade nos levam a questionar muito. Ao falarmos em Vida, poderemos falar da grande Vida, que existe em todos os seres, e talvez até mesmo nas coisas, que não são exatamente seres. Ou podemos falar de nossa vida curta, aqui na terra.Então sim, podemos falar de música. Podemos dizer que a música existe na vida, a vida existe na música. Todos os sons da natureza, que não ouvimos porque nossa pequena vida exige de nós todo o tempo que poderíamos dedicar a ouvir a Grande Vida. A música existe em estado natural em todas as coisas: nas cachoeiras;, no barulho do vento nas folhas; nos pássaros;, no matraquear dos cascos dos cavalos no chão; no ronco dos motores na terra, na água e no ar. Enfim, se “afinarmos” nossos ouvidos teremos música permanente sem necessidade de recorrer à aparelhagem eletrônica, nem nos debruçar sobre partituras de grandes mestres.
Contudo, os grandes mestres descobriram sua vida através das composições, assim compositores e intérpretes anônimos descobrem a vida nos sons que eles mesmos emitem. Assim temos sons maravilhosos na própria voz que só fala, no choro de uma criança, ou no tilintar dos talheres da família em redor da mesa.
Até mesmo os surdos usam de música mental para suas necessidades. Beethoven compôs a 9ª. Sinfonia totalmente surdo, o que mostra que podemos “ouvir” sons com os ouvidos da mente. Talvez seja a mesma música que os apaixonados ouvem em seus silêncios cheios de significadosComo falar de vida sem música? Como tirar a música de nossa vida? A música existe como existe a luz, como existe o ar. Ela está intrinsecamente em nós, faz parte de nós e se entranha como um membro do nosso corpo se liga a outro, numa clara demonstração de que o conjunto não está completo se estiver faltando um membro.
Não importa que seja redundância. Quero gritar: Viva a Música!

Musicoterapia

Neste Artigo:



- Como atua o musicoterapeuta?
- Indicações da musicoterapia
- Que música é a mais indicada?




A musicoterapia é uma forma de tratamento que utiliza a música para ajudar no tratamento de problemas, tanto de ordem física quanto de ordem emocional ou mental.
A musicoterapia como disciplina teve início no século 20, após as duas guerras mundiais, quando músicos amadores e profissionais passaram a tocar nos hospitais de vários paises da Europa e Estados Unidos, para os soldados veteranos. Logo os médicos e enfermeiros puderam notar melhoras no bem-estar dos pacientes.
De lá para cá, a música vem sendo cada vez mais incorporada às práticas alternativas e terapêuticas. Em 1972, foi criado o primeiro curso de graduação no Conservatório Brasileiro de Música, do Rio de Janeiro. Hoje, no mundo, existem mais de 127 cursos, que vão da graduação ao doutorado.
O musicoterapeuta pode utilizar apenas um som, recorrer a apenas um ritmo, escolher uma música conhecida e até mesmo fazer com que o paciente a crie sua própria música. Tudo depende da disponibilidade e da vontade do paciente e dos objetivos do musicoterapeuta. A música ajuda porque é um elemento com que todo mundo tem contato. Através dos tempos, cada um de nós já teve, e ainda tem, a música em sua vida.
A música trabalha os hemisférios cerebrais, promovendo o equilíbrio entre o pensar e o sentir, resgatando a "afinação" do indivíduo, de maneira coerente com seu diapasão interno. A melodia trabalha o emocional, a harmonia, o racional e a inteligência. A força organizadora do ritmo provoca respostas motoras, que, através da pulsação dá suporte para a improvisação de movimentos, para a expressão corporal.
O profissional é preparado para atuar na área terapêutica, tendo a música como matéria-prima de seu trabalho. São oferecidos ao aluno conhecimentos musicais específicos, voltados para a aplicação terapêutica, e conhecimentos de áreas da saúde e das ciências humanas. São oferecidas também vivências na área de sensibilização, em relação aos efeitos do som e da música no próprio corpo.
Sendo inerente ao ser humano, a música é capaz de estimular e despertar emoções, reações, sensações e sentimentos.Qualquer pessoa é susceptível de ser tratada com musicoterapia. Ela tanto pode ajudar crianças com deficiência mental, quanto pacientes com problemas motores, aqueles que tenham tido derrame, os portadores de doenças mentais, como o psicótico, ou ainda pessoas com depressão, estressadas ou tensas. Tem servido também para cuidar de aidéticos e indivíduos com câncer. Não há restrição de idade: desde bebês com menos de um ano até pessoas bem idosas, todos podem ser beneficiados.
Particularmente são indicados no autismo e na esquizofrenia, onde a musicoterapia pode ser a primeira técnica de aproximação. A musicoterapia é aplicável ainda em outras situações clínicas, pois atua fundamentalmente como técnica psicológica, ou seja, reside na modificação dos problemas emocionais, atitudes, energia dinâmica psíquica, que será o esforço para modificar qualquer patologia física ou psíquica. Pode ser também coadjuvante de outras técnicas terapêuticas, abrindo canais de comunicação para que estas possam atuar eficazmente.
Músicas com ritmo muito marcante, não servem para o relaxamento, como por exemplo, o rock. O ritmo do rock é constante, ao passo que no relaxamento, a tendência é diminuir o pulso e o ritmo da respiração.
Cada ritmo musical produz um trabalho e um resultado diferente no corpo. Assim há músicas que provocam nostalgia, outras alegria, outras, tristeza, outras melancolia, etc.
Alguns tipos de música podem servir de guia para as necessidades de cada pessoa. Bach, por exemplo, pode ajudar muito no aprendizado e na memória, Rossini, com Guilherme Tell e Wagner, com as Walkirias, ajudam especialmente no tratamento de pacientes com depressão. As valsas de Strauss podem contribuir e muito, para os momentos em que se necessita um maior relaxamento, estando bem indicadas para salas de parto. As marchas são um tipo de música que transmite energia, tão importante e escassa em áreas hospitalares de pacientes em convalescença.
Um bom exemplo disso tem sido o uso da musicoterapia, no auxílio do tratamento da doença de Alzheimer. Doença de caráter progressivo e degenerativo tem, entre seus primeiros sinais, o esquecimento, a dificuldade de estabelecer diálogos, as mudanças de atitude e a diminuição da concentração e da atenção. A musicoterapia ajuda a estimular a memória, a atenção e a concentração, o contato com a realidade e o esforço da identidade. Trabalha-se ainda a estimulação sensorial, a auto-estima e a expressão dos sentimentos e emoções.
A melhor ajuda que o tratamento dos pacientes, utilizando a música, pode proporcionar, é que ela, como terapia, torna os obstáculos da doença mais amenos e mais fáceis de serem ultrapassados.
Copyright © 2007 Bibliomed, Inc.

Arte da Música

A Arte da Música
Sentir a arte em todas as suas manifestações depende de estímulo. E no Brasil há poucas alternativas para o contato com a Arte. É o caso da música, que vive dois extremos em nossa cultura: extremamente técnica ou absurdamente popular, desprovida até de seus princípios básicos. Entre os dois extremos, encontramos valores da MPB, de grande qualidade musical. Mas não somos preparados para apreciar a musica e desenvolver nosso talento musical. Veja a opinião do maestro Antonio Mármora, que durante décadas lecionou música nas escolas, para crianças e jovens.
O que está faltando no ensino básico?
Na Europa você sente a importância do estudo da música. Todas as escolas do exterior integram a Arte à cultura geral. No Brasil o enfoque maior é informatização, matérias de Exatas, mas a Arte é relegada. Como é que nós podemos exigir de um adolescente, hoje em dia, civismo, cidadania, ele não tem nada na escola?"



É só uma questão prática, de má política ou falta capacidade para entender a importância da arte?

Ninguém aprecia aquilo que não conhece. Antigamente existia o ensino da música, tudo bem que era uma coisa menor, sem a ênfase das demais disciplinas, mas existia".
É uma grande perda...
Sim, afeta até a qualidade da família. O mercado de trabalho centralizou a necessidade prática e o ensino humanístico sumiu. Ele permanece em escolas da Europa, mas não no Brasil. Qualquer ensino considerado opcional não é valorizado pelo aluno. A arte exerce grande influência ao ser humano. O som é um agente muito poderoso. Todos os seres gostam.
A teoria musical é considerada de difícil assimilação por algumas pessoas...


Sim, mas se você partir do som, não há como não assimilar. De uma música popular pode-se passar à erudita, de maneira que seja compreendida. Isso é fundamental ao equilíbrio da pessoa, assim como a arte e humanidades em geral. Cultura!
Há necessidade de descobrir a música erudita primeiro para “afinar o ouvido”? O que se ouve dizer com freqüência é que nunca se ouviu tanta música no Brasil....embora de baixa qualidade.

Música erudita não morre, é uma lavagem de alma. O indivíduo sente isso quando passa a conhecer, a ouvir e sentir. Mas a apreciação musical pode começar com qualquer estilo, desde que seja uma boa música, e tomar contato com noções gerais, passar a entender a instrumentação. Senão não entende nada e passa a aceitar qualquer coisa que se jogue em cima dele, música de baixa qualidade, corriqueira demais, quando tem dois acordes, é uma coisa! A letra então!...

Isso prova o quanto estamos deseducados musicalmente?

Sim, embora haja muita coisa boa. Nossa música popular tem verdadeiras jóias musicais. A oportunidade de aprender a diferenciar é que é rara. Para mim não há coisa melhor do que encontrar ex-alunos e ouvir o comentário de noções musicais que ficaram marcadas em sua memória. É gostoso você ser lembrado como alguém que pensou em fazer alguma coisa.

O processo de criação de uma música depende de que?

A música é inspiração, sentimento, um grande amor, natureza, tantas coisas. O conhecimento teórico facilita e lapida a música. Nós temos compositores que compõe música popular de extrema qualidade melódica, como Jobim, Milton Nascimento, Chico Buarque, um compositor extraordinário. Como professor fui obrigado à me adaptar, ser eclético e conhecer vários estilos musicais, porque você tem que captar a expectativa da classe para saber o que você vai ofertar para eles.